Mulheres na Construção: histórias, desafios e o crescimento da presença feminina no setor
- Dap7 Marketing de Resultado

- 17 de mar.
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Durante muito tempo, a construção civil foi vista como um setor predominantemente masculino. No entanto, felizmente, essa realidade vem mudando. Cada vez mais mulheres têm conquistado espaço em diferentes áreas do setor, desde a engenharia e arquitetura até a gestão de obras, liderança empresarial, varejo de materiais de construção e também na atuação direta nos canteiros.
No mês dedicado à valorização da luta das mulheres por igualdade, é importante refletir sobre o papel feminino na construção civil e destacar histórias inspiradoras de profissionais que ajudaram a construir caminhos para as novas gerações.
A presença feminina na construção civil está crescendo
Embora ainda exista uma longa jornada pela frente, os números mostram evolução. Nos últimos anos, o número de mulheres trabalhando na construção civil no Brasil cresceu de forma expressiva. Dados do IBGE indicam que a participação feminina no setor aumentou cerca de 120% nas últimas décadas, refletindo um movimento gradual nas empresas e obras do país.
Mesmo assim, a presença feminina ainda é minoritária. Dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que apenas cerca de 11,5% dos trabalhadores formais da construção civil são mulheres no Brasil, sendo que 9,2% possuem carteira assinada.
Quando observamos os registros profissionais de engenharia e áreas relacionadas, o cenário também revela desafios: apenas cerca de 20% dos profissionais registrados no sistema CONFEA/CREA são mulheres. Ao mesmo tempo, nesses mesmos órgãos, mais de 60% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.
A participação feminina também está presente nas instâncias de decisão do Sistema Confea/Crea, entre elas a vice presidência exercida por Ana Adalgisa Dias Paulino, que é a segunda mulher a ocupar o cargo em 92 anos.
Pioneiras que abriram caminhos
A presença feminina na construção civil é fruto da coragem de mulheres que desafiaram barreiras sociais e culturais ao longo da história.
Carmen Portinho
Engenheira, urbanista e ativista, Carmen Portinho foi uma das grandes pioneiras da engenharia no Brasil. Formada em 1925, tornou se a terceira mulher a se graduar em engenharia no país.
Além de atuar no desenvolvimento urbano brasileiro, Carmen também participou de movimentos históricos pela igualdade de direitos e pela valorização da educação feminina, tendo lutado ao lado de Bertha Lutz.
Enedina Alves Marques
Outro nome marcante é o de Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil. Formada em Engenharia Civil em 1945 pela Universidade Federal do Paraná, ela enfrentou inúmeros desafios sociais e raciais para conquistar seu espaço na profissão.
Entre suas contribuições estão projetos importantes no estado do Paraná, incluindo obras públicas e infraestrutura.

Olenka Freire Greve
A engenheira-arquiteta Olenka Freire Greve também marcou história ao atuar em importantes projetos de construção no Brasil durante o século XX. Em uma época em que quase não havia mulheres na área, ela integrou equipes técnicas responsáveis por obras públicas, sendo frequentemente a única mulher entre engenheiros. Seu trabalho contribuiu para projetos de hospitais, escolas e laboratórios, mostrando que competência e talento não têm gênero.
Uma nova geração que está transformando o setor
Além das pioneiras, uma nova geração de mulheres vem transformando o setor da construção.
Um exemplo é a engenheira Fernanda Silmara Silva dos Santos, que criou o projeto social ReforAMAR, dedicado à reforma gratuita de casas para famílias em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa já mobilizou centenas de voluntários e ajudou dezenas de famílias a conquistarem moradias mais dignas.
No Rio Grande do Sul, temos também o trabalho incrível do Instituto Mulher em Construção, uma organização social que, desde 2006, promove a inclusão da mulher periférica no mercado de trabalho da construção civil por meio do fortalecimento da autonomia, da cidadania e do empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica.
Histórias como essas mostram que a construção civil vai muito além de levantar paredes. Ela possibilita transformar vidas e comunidades.
Diversidade como motor de inovação
A presença feminina no setor não representa apenas uma questão de igualdade. Ela também contribui diretamente para o desenvolvimento da construção civil.
Empresas que valorizam equipes diversas costumam apresentar:
• Maior capacidade de inovação
• Soluções mais completas para os clientes
• Ambientes de trabalho mais colaborativos
• Maior adaptação às transformações do mercado
No setor da construção, é justamente essa diversidade de perspectivas que pode gerar projetos mais eficientes, sustentáveis e conectados com as necessidades da sociedade.
O futuro da construção também é feminino
O avanço da presença feminina na construção civil mostra que o setor está evoluindo. Cada engenheira, arquiteta, gestora, varejista ou profissional de obra que conquista seu espaço contribui para abrir portas para outras mulheres.
Por isso, celebrar essas conquistas também é reconhecer que o desenvolvimento da construção civil passa pela valorização do talento, da diversidade e da oportunidade.
Afinal, construir o futuro também significa construir um setor mais inclusivo, inovador e representativo.




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